Duas crianças fantásticas e um sonho maravilhoso

1 04 2011

DUAS CRIANÇAS FANTÁSTICAS E UM SONHO MARAVILHOSO *

Francisco Santiago

 

Era uma vez duas crianças muito espertas, uma menina – Sônia Sonhadora e um menino – Joaquim Quimera. Eles moravam numa grande cidade, de um enorme país chamado Brasil. Essas crianças eram muito parecidas. As duas gostavam muito de estudar, de comer bolo, pipoca, refrigerante, também gostavam muito de brincar, é claro. Mas, de algumas coisas elas não gostavam: guerra, fome, poluição, roubo, mentira, violência, injustiça e tudo o que é mal.

Num certo dia, Sônia Sonhadora e Joaquim Quimera tiveram uma maravilhosa idéia:

  • Vamos mudar o mundo. Disseram.
  • A gente vai começar por onde?
  • Vamos acabar com os bandidos do Rio de Janeiro, vamos lutar contra os gananciosos que destroem a floresta Amazônica ou vamos combater os ladrões de Brasília? Falou com muita coragem o Quinzinho.
  • Soninha respondeu com muita segurança:
  • Calma Quinzinho, a mamãe falou que quando a gente quiser consertar o mundo, tem que começar fazendo a lição de casa.
  • E nós não fazemos a lição de casa todos os dias Soninha? Isso a gente já faz e muito bem. Disse Quinzinho.
  • Não é dessa lição que eu falo Quinzinho. Presta atenção, quando a gente quer que todas as pessoas do mundo todiiiiinho mudem, temos que começar por nós mesmos, por mim, por você, pelos nossos pais, pelos nossos vizinhos, pelos colegas da escola, pelas “tias” e mais um montaaaão de gente, entendeu?
  • Ah! Agora eu entendi. Vamos depressa, tenho que pedir desculpas ao Paulinho por ter jogado seu caderno no chão.

    Naquele mesmo dia, Sônia Sonhadora e Joaquim Quimera fizeram um juramento:

  • Nunca deixaremos de lutar pelo bem da humanidade. E quem for do bem que nos siga.

    Mal saíram de casa eles se depararam com o primeiro desafio: seu João, um homem bem forte e grandão, cortando uma árvore, e era justamente a mangueira onde debaixo de sua sombra as crianças brincavam todos os dias e essa árvore, também, servia para alimentar muitos passarinhos e ainda para saciar a fome de muita gente pobre. Foi aí que os pequenos se aproximaram do homem e disseram com muita autoridade:

  • Pare já com isso!
  • Isso o quê? E quem são vocês?
  • Você vai saber quem somos nós quando voltarmos aqui com o IBAMA, a polícia, a tv, o Jornal e etc, etc, etc.

    Ouvindo isso, o João ficou paradão com o machado na mão. Pensou, pensou, então resolveu:

    • Eu não vou mais cortar esta árvore, nem ela, nem qualquer outra árvore, nunca mais. E me perdoem.
    • Está perdoado e muito obrigado. O planeta agradece, principalmente, os passarinhos.

    As pessoas que se ajuntaram ali para assistir a cena ficaram bastante emocionadas, umas batiam palmas, outras choravam, outras riam.

    Não demorou muito, eles encontraram o Zé do Gole, cheio do “Mel” – ainda trazia na mão a garrafa de pinga.

    • E aí….ig! vocês não querem uma coisinha? Bebam…ig! é bom.
  • Realmente ela é muito boa… para destruir lares, para acabar com seu fígado, com o seu dinheiro, com o seu casamento, com tudo que você tem.
  • Que eu tinha….ig! respondeu o homem já com lágrimas nos olhos.
  • Ainda há tempo de você refazer sua vida, deixe de beber, vá trabalhar, procure servir a Deus. O homem então, jogou a garrafa de pinga no lixo e jurou nunca mais beber a “marvada”.

    Depois dessas e outras, a fama dos meninos cresceu muito. Além disso, já não agiam sozinhos. Muitas crianças resolveram fazer a mesma coisa e se juntaram aos dois. O negócio cresceu tanto que Soninha e Quinzinho resolveram criar uma Associação, a UNCRIST (União Nacional das Crianças Salvadoras da Terra).

    E assim as crianças prosseguiram sua jornada, dias após dia, incansavelmente. Onde houvesse um rio poluído, um animal sendo maltratado, um homem se drogando, alguém fofocando, lá estavam as crianças tentando consertar o mundo.

    O partido das crianças ficou tão famoso que um dia foram convidadas para dar entrevista num programa de televisão de grande audiência.

    Depois de muita babação a apresentadora MERILU fez a primeira pergunta:

    – Onde e como isso tudo começou?

    – Foi na nossa pequena escola. Nossas “tias” nos contavam tanta história. Mato queimado, água suja, animal maltratado, jovem drogado, polícia comprada, deputado safado… Mas, elas também diziam que tudo isso tinha jeito, se cada um fizesse sua parte respeitando a si mesmo, ao coleguinha, ao papai, a mamãe, ao cachorrinho, ao gatinho…

    E o programa continuava, para cada pergunta (por mais difícil que fosse) uma resposta simples, mas que tocava o coração de cada pessoa que assistia a entrevista. Nos presídios, os presos choravam, nos hospitais os doentes se alegravam, nos morros as armas se calavam.

    Um político enviou um e-mail:

    – De hoje em diante prometo nunca mais mentir e roubar. E tem mais, os meus projetos serão todos voltados para o bem da sociedade. Não vou me identificar porque tenho muita vergonha. Mas eu prometo me consertar.

    No dia seguinte não se comentava outra coisa. A história dos pequenos sonhadores foi primeira no IBOPE. Ganhou do futebol, da novela, dos desenhos, da música, de tudo.

    O sucesso foi tanto que se espalhou pelo mundo: Estados Unidos, Europa, China, Japão, África. Foi tão grande a repercussão que a Associação teve que mudar de nome, UICRIST – União Internacional das Crianças Salvadoras da Terra.

    Nossos amiguinhos estavam mesmo na mídia! Foram convidados para uma audiência com Dilma, depois com o Obama, e até pelo Papa!

    Mas, o tempo passou, passou, passou… então as crianças tornaram-se adolescentes, tornaram-se adultas e não podia dar outra – Soninha e Quinzinho se casaram, tiveram dois filhos, uma menina e um menino e pelo que tudo indica, Sônia e Joaquim serão felizes para sempre.

    Hoje eles vivem numa cidade não muito grande, a Associação Internacional tornou-se numa pequena ONG, uma instituição, na qual eles cuidam das crianças carentes do bairro.

    Dizem que a luta de Soninha e Quinzinho foi em vão, não serviu para coisa nenhuma. Afinal, os homens continuam se matando, as guerras nunca acabam, os mares e os rios continuam sendo poluídos, as florestas ainda estão sendo devastadas…

    Mas… também dizem, que aquela mangueira ainda está de pé e que viram o seu João plantando uma porção de árvores na rua onde mora. Dizem que viram o Zé do Gole, aliás, o ex-Zé do Gole, dando palestra para pessoas alcoólatras que querem largar o vício. Ainda dizem que viram aquele político ladrão doando toda sua riqueza para uma instituição de caridade.

    É por isso que Soninha sonhadora e Joaquim Quimera continuam sendo o que sempre foram: consertadores do mundo!

     

    * Conto especialmente criado para ser trabalhado com as crianças do 2º período “B”, da U.E.B. Paulo Freire.


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