Cançãozinha do Exílio

1 04 2011

CANÇÃOZINHA DO EXÍLIO

Francisco Santiago

 

Minha escola tem professoras,

Que sabem me ensinar,

As tias daqui, ah!

Só me ensinam o bê-á-bá.

 

Em nossa escola há mais alegria,

Nossas tias têm mais prazer,

Nossos lápis têm mais vida,

Nossa vida mais saber.

 

Em estudar aqui, à força,

Mais prazer encontro eu lá,

Minha escola tem professoras,

Que sabem me ensinar.

 

Minha escola tem professoras,

Que tais não encontro eu cá,

Em estudar aqui, à força,

Mais prazer encontro eu lá,

Minha escola tem professoras,

Que sabem me ensinar.

 

Não permita Deus que mais eu sofra

Faz com que mamãe me escute,

E, de novo lá, me matricule,

Pois mais prazer encontro eu lá,

Minha escola tem professoras,

Que sabem me ensinar.

 

 

 

 

 

 

 

 

METAMORFOSE

Francisco Santiago

 

No principio era o mestre e fizeram dele um deus.

Quando ele falava todos temiam e se calavam,

Em lugares altos e seguros habitava,

Seus pés caminhavam firmes por “caminhos positivos”

 

A escola era tradicional e elitista,

E o espírito de Herbart comandava a pedagogia.

 

Sua fama cresceu e dizia: todo o conhecimento provém de mim.

No trono de Comenius me assento, nos pilares da ciência estou seguro

 

Mas repentinamente, os fundamentos do seu reino se abalaram,

Pois, o homem mudou, criou novos saberes, novas escolas de estranhos métodos.

Construtivismo, epistemologia genética, interdisciplinaridade, zonas de desenvolvimento, temas transversais, múltiplas inteligências… Será que estou em outro mundo? Diz o mestre, que agora já não é mais Deus, sua riqueza e gloria virou despojo.

E para aumentar o infortúnio seus discípulos tornaram-se deuses – pensam, sentem, sabem, criam… De tudo são capazes.

Ai do mestre que não venerá-los. Será execrado, zombado, desprezado.

Será objeto de espanto. O que é isso? É um tradicional.

 

E agora mestre? Mestre para aonde?

Você que tinha métodos infalíveis, que zombava dos ignorantes, que ria dos calados.

Quer correr para a certeza. Mas a certeza secou.

Apela para a verdade. Verdade não há mais, e agora mestre?

 

Vá embora para Passárgada quem sabe lá você encontra outra civilização, outra educação.

Mas você não foge, você não morre, você é forte meu mestre!

 

Resignado volta ao banco. Para se humilhar? Não!

É para desvendar os mistérios das teorias, os segredos dos métodos.

É para perder o medo das novas aprendizagens.

É para enriquecer sua experiência. É para lavar a honra de seu ofício.

 

Agora, você pode enfrentar todos os deuses, e “demônios”.

Que venham os hiperativos, os dislexos, os autistas, os desmotivados, os atrasados, os alienados…

Podem vir! Façam fila! O meu herói é mais forte, mais persistente, mais combatente. Qual fênix ele renasce das cinzas! E, se não é mais possível chamá-lo de deus, que o chamem simplesmente: professor/professora.


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